Adeus ano velho, um ano novo de esperança e luta

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Adeus ano velho, um ano novo de esperança e luta

Chico Vigilante

O final do ano se aproxima e o povo brasileiro, em especial o povo do DF, não tem motivos para comemorar. Os eleitos para comandar os poderes executivos federal e distrital, conduziram o primeiro ano de seus mandatos promovendo a redução de direitos, o arrocho salarial, mudanças perversas na previdência e o desmonte de políticas públicas.

No Brasil, entre desempregados, subocupados e desalentados, são quase 30 milhões de pessoas. No DF, mais de 400 mil. Em ambos os levantamentos, cresce a informalidade, o emprego de baixa qualidade e remuneração insuficiente.

Cresce a população de rua, os que perderam seu teto, por conta do desemprego e da desestruturação familiar. O sistema público de saúde, sofrendo com a falta de orçamento, e a gestão precária do governo do DF, que limita-se a demitir diretores de unidades, quando há problemas, angustia a população cada vez mais necessitada de atendimento.

A militarização da gestão escolar, que foi implantada como solução para a disciplina dos alunos, revela-se um remendo mal feito para um problema muito mais profundo e reforça a ideia simplista de usar métodos policiais para desafios pedagógicos.

O ano mal começou e foi extinto o Ministério do Trabalho, instituição de mais de 88 anos, com reconhecimento internacional, pela qualidade de suas políticas de combate ao trabalho escravo, trabalho infantil e normas referentes à saúde do trabalhador, além das políticas relativas ao FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador e FGTS – Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.

Em seguida, tivemos a apresentação da PEC (proposta de emenda à Constituição) da reforma da Previdência, de conteúdo perverso para a classe trabalhadora, com argumentos mentirosos e números manipulados.

Apesar de conseguirmos amenizar as maldades propostas na Câmara e eliminar a cruel proibição de aposentaria por periculosidade, no Senado, os prejuízos para os trabalhadores e trabalhadoras é imenso. Muitos não conseguirão se aposentar e os valores das aposentadorias e pensões de todos serão menores.

Na questão ambiental, nossas praias e florestas sofrem com a visão atrasada e criminosa de um governo que destrói a imagem do Brasil no esforço mundial para enfrentar as mudanças climáticas.

O mesmo acontece em relação aos Direitos Humanos: o discurso oficial é o da truculência contra os de sempre. Os mais pobres, os índios, os negros, os LGBTQI+. As mulheres sofrem com o machismo reforçado por discursos atrasados de quem deveria zelar pelos direitos e pela segurança das mulheres.

O desqualificado ministro da (falta de) Educação passou o ano ofendendo as universidades públicas e cortando os recursos, tentando sufocar as instituições que tiveram, nos governos Lula e Dilma, incentivo para crescer, em quantidade de vagas e campi e na qualidade de seus cursos e pesquisas. A mobilização de estudantes e professores foi vital para que o governo liberasse mais recursos, já no final do ano.

Nosso mandato esteve atuando nos doze meses deste 2019 nas lutas populares. Fizemos e liberamos muitas emendas ao orçamento do DF. Estivemos com os sindicatos em suas campanhas salariais e contra as demissões. Atuamos na luta contra a reforma da Previdência e o desmonte do Ministério do Trabalho. Fizemos audiências públicas, sessões solenes e comissões gerais para tratar dos mais diversos temas de interesse da classe trabalhadora e dos movimentos sociais.

Enfrentamos, no plenário, com nosso bloco PT/PSOL, tentativas do GDF de retirar direitos (como o Passe Livre Estudantil) e demitir terceirizados. Sentimos falta, é verdade, de uma maior mobilização da sociedade.

Lutamos pela liberdade de Lula e pela anulação dos processos fraudulentos que o perseguem. Comemoramos sua liberdade e também a sua absolvição num dos processos absurdos que a PGR tentou imputar a ele, Dilma e vários ex-ministros, crimes sem nenhuma prova ou indício consistente.

Chegamos ao fim do ano conscientes do dever cumprido. Tristes pelas perdas da Previdência e retrocessos trabalhistas. Chateados pelos milhões de desempregados, muitos deles morando nas ruas do Brasil. Consternados pelas matas devastadas, praias manchadas pelo óleo, índios e Sem Terra assassinados.

Mas queremos deixar uma mensagem, neste fim de ano, de esperança e desafio. Nós, que amamos o Brasil, o DF e seu povo, não podemos desanimar nem desistir. Temos que lembrar que, pouco tempo atrás, tínhamos baixo desemprego, crescimento econômico, distribuição de renda e oportunidades, mais acesso à educação, saúde e cultura. Tínhamos esperança. E esperança não vem de esperar, mas de esperançar. Dizia a canção de Vandré: quem sabe, faz a hora, não espera acontecer.

E esse é o desafio da esperança. Temos um novo ano para ir às ruas conversar com o povo e mostrar que a política do ódio não pode ser maior que a pedagogia do amor. Que o valor do trabalho é muito maior que o do capital, que não consegue produzir sem os braços dos trabalhadores e trabalhadoras. E que o Brasil Nação é muito maior que as medíocres e submissas políticas desse desgoverno.

Vamos nos organizar, de maneira fraterna, junto com todos que querem retomar o desenvolvimento com distribuição de renda e oportunidades. Vamos sonhar e realizar o nosso sonho, sem medo de ser feliz. A esperança vencerá o medo mais uma vez.

Como o grande Nelson Cavaquinho cantou: O sol há de brilhar mais uma vez, a luz há de chegar aos corações, do mal será queimada a semente, o amor será eterno novamente.

Desejo a todos que me acompanham nessa luta de mais de 40 anos um Feliz 2020, com muita luta, esperança e vitórias.

Chico Vigilante é deputado distrital pelo PT-DF

Equipe Chico Vigilante

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